Me libera, nega, hit baiano que Caetano ama, saiu de viatura policial

MC Beijinho, que ficou famoso ao ser detido, conta que fez música para conquistar garota carioca. ‘É uma canção terna, bem escrita e bem sentida’, diz Caetano ao G1.

Foi do porta-malas de uma viatura policial que saiu o mais forte concorrente a hit do Carnaval de Salvador em 2017 até agora. Algemado, Ítalo Gonçalves, 19, apresentou o refrão meloso que tem embalado ensaios para a folia, dias de praia, baladinhas e outros acontecimentos na Bahia: “Me libera, nega, deixa eu te amar” (ouça aqui).

Quando ainda não era MC Beijinho, ele foi detido por tentar roubar celulares em um ônibus de Salvador, em novembro. Entrevistado ao vivo em um programa de TV local, driblou as perguntas do repórter repetindo incansavelmente sua composição. “Estava desempregado, tudo deu errado para mim. Queria gravar minha música e vi que aquilo era uma oportunidade”, explica Ítalo ao G1.

“Na hora, pensei nas pessoas do meu bairro. Queria que elas vissem que eu estava cantando. Não imaginei que teria essa repercussão”. Mas o sucesso já estava feito, e os versos românticos de Beijinho chegaram até Caetano Veloso, que enche o MC de elogios.

“Eu amo essa música desde a primeira vez que ouvi”, conta Caetano ao G1. “É uma canção terna, bem escrita e bem sentida. E Ítalo canta muito bem. Se for cantada nas ruas pela multidão, isso será um desses fatos do carnaval baiano que fazem a gente chorar de emoção.”

Caetano já apareceu em um vídeo no Facebook cantando “Me libera, nega” – e até tentou reproduzir o biquinho, que é marca do autor do hit. Ele afirma que, “se tiver coragem”, vai puxar um trecho da canção em dois shows que fará em Salvador, nos próximos dias 20 e 21.

Me libera, Universal

Pela tentativa de roubo, Beijinho ficou dois dias preso. Depois, passou a frequentar um centro de recuperação – “para ficar pensando nas coisas”, segundo ele –, enquanto via sua música ganhar o empurrãozinho de outros famosos. Luan Santana, Claudia Leitte e a dupla Simone e Simaria estão entre os que cantaram o refrão.

Filipe Escandurras, coautor de “Lepo lepo” e “Fui fiel”, também fez sua versão. Mas gerou polêmica ao promover a música com seu nome. A editora vinculada à Universal Music, que administra os direitos autorais da canção, afirma que o cantor não tem autorização para gravar. Escandurras diz que tinha autorização e fez uma gravação com Beijinho, logo após a saída da prisão.

Musa inspiradora

Antes de ficar desempregado, Beijinho ganhava R$ 20 por semana para montar e desmontar barracas de camelôs e trabalhava em um pet shop – onde chegou a ser obrigado a mudar de cargo porque cantava sem parar. Nos fins de semana, se apresentava em festas de partido alto do bairro da Liberdade, em Salvador, onde mora.

Ele compôs “Me libera, nega” há três anos, para tentar conquistar uma carioca de passagem em Salvador. “Consegui, mas ela foi embora logo depois. Nunca mais vi”, lembra, sem revelar o nome da musa inspiradora. Agora, alguns dos principais astros do carnaval é que tentam conquistá-lo. Ele já negocia uma participação no bloco de Bell Marques, ex-Chiclete com Banana, e analisa outros convites. Enquanto isso, prepara repertório para shows solo e um disco.

E, para quem anda alimentado a rivalidade entre seu hit e “Deu onda”, de MC G15 – outra aposta para o verão -, ele manda o recado: “Na Bahia, o pessoal gosta é de ‘Me libera, nega”. É nela que eu aposto. Só tenho isso a falar.”

g1

11/01/2017

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